Gestão do Conhecimento: o que é e por que aplicá-la na sua empresa

Gestão do Conhecimento: o que é e por que aplicá-la na sua empresa

Você já parou para pensar na quantidade de conhecimento produzido em uma organização? Todos os procedimentos realizados em uma empresa são fontes de importantes informações para manter seu funcionamento, bem como fazê-la crescer. Nesse sentido, o desafio está em conseguir uma forma de estruturar todos os dados produzidos, armazená-los e direcioná-los de modo que os setores trabalhem em sintonia uns com os outros, garantindo a evolução dos negócios. Mas como conseguir isso? A gestão do conhecimento (GC) é uma disciplina que trata exatamente desta questão*.

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O sucesso de uma empresa, independentemente do seu porte ou ramo de atuação, está vinculado à prática de transformar seu conhecimento em resultados efetivos. Com a gestão do conhecimento aplicada no dia a dia, as respostas deixam de ser construídas a partir do zero e, com o tempo, começam a acontecer de forma intuitiva sem que as pessoas se deem conta disso. Sabe aquela premissa de que devemos aprender com os erros? Então, isso é levado em conta na GC, pois erros e acertos são gerenciados para serem utilizados em decisões futuras com base no aprendizado obtido em experiências anteriores.

Conheça a evolução da sociedade do conhecimento! Veja o vídeo e confira um breve relato sobre como transformamos o mundo a nossa volta conforme aprimoramos nossas habilidades para adquirir e disseminar conhecimento:

O que é gestão do conhecimento

Um dos grandes desafios das organizações está em saber extrair o conhecimento gerado e acumulado ao longo dos anos por um funcionário. Nesse sentido, o conceito de gestão do conhecimento surgiu no início da década de 1990, definido não mais como uma moda da eficiência operacional, mas sim como uma parte estratégica das organizações.

Pode ser aplicada em qualquer empresa, entretanto, exige a criação de novos modelos organizacionais, com estruturas, processos, sistemas gerenciais e posições de liderança que permitam enfrentar qualquer barreira existente nos processos de transformação da organização.

A gestão do conhecimento consiste na administração dos ativos de conhecimento de uma organização. É um processo sistemático de identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos estratégicos na vida de uma companhia. O conceito abrange um conjunto de metodologias e tecnologias que visam criar condições para identificar, integrar, capturar, recuperar e compartilhar o conhecimento existente nas organizações.

A soma do conhecimento de todos em uma empresa resulta no seu capital intelectual, criado a partir do intercâmbio entre o capital humano, o capital estrutural e o capital clientes. Outros termos também utilizados são o capital organizacional, o capital inovação, o capital processo e o capital digital. O capital intelectual pode ser encontrado na forma de conhecimento nos indivíduos, como conhecimento adicional, quando as pessoas compartilham conhecimento. Para auxiliar na aprendizagem coletiva e no compartilhamento de conhecimento, o mais adequado suporte tecnológico deve ser definido.

Assista ao vídeo e descubra como a gestão do conhecimento pode ajudar a sua empresa:

Dados, informações e conhecimento

Antes de abordar o conhecimento propriamente dito, é necessário compreender a importância dos elementos “dado” e “informação” para o trabalho ligado à gestão do conhecimento.

Dados são descritos como registros estruturados de transações, matéria-prima essencial para a criação da informação. O registro, a manutenção e a gestão de dados são fundamentais para o sucesso das organizações. A gestão de dados pode ser avaliada pelas empresas em termos de custo, velocidade e capacidade. Nem sempre ter mais dados é melhor, pois o excesso dificulta a identificação e a extração de significado deles.

Informação pode ser descrita como uma mensagem que tem como finalidade mudar o modo como o destinatário vê algo. São dados que fazem a diferença. O receptor decide se a mensagem recebida realmente passa a ser uma informação. Vários métodos importantes podem ser considerados para transformar dados em informação, agregando valor de diversas maneiras:

  • Contextualização: finalidade dos dados coletados;
  • Categorização: unidades de análise ou componentes essenciais dos dados;
  • Cálculo: dados analisados matemática ou estatisticamente;
  • Correção: erros eliminados dos dados;
  • Condensação: dados resumidos para uma forma mais concisa.

Dados e informações ajudam a entender o conhecimento. Fatos organizados, caracterizando uma situação em particular, uma condição, desafio ou oportunidade, estão dentro do contexto de informação. Com o conhecimento, é possível determinar o que uma situação específica significa e como lidar com ela.

Existem duas grandes tradições epistemológicas na filosofia ocidental: o racionalismo e o empirismo. O racionalismo defende que existe conhecimento a priori, sendo que o verdadeiro conhecimento é produto de um processo mental ideal. A verdade absoluta pode ser deduzida a partir de uma argumentação racional baseada em axiomas. Por outro lado, o empirismo argumenta que não existe conhecimento a priori, o verdadeiro conhecimento é produto da experiência sensorial.

O conhecimento é uma mistura de vários elementos: é fluido como também pode ser formalmente estruturado, é intuitivo e por isso difícil de ser entendido em termos lógicos. O conhecimento existe na mente dos conhecedores. Nas organizações, costuma ser encontrado em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais, e não só em documentos ou repositórios.

Para que a informação se transforme em conhecimento, as pessoas precisam colaborar. O conhecimento é valioso por estar próximo da ação com relação à estratégia, concorrentes, clientes, canais de distribuição e ciclos de vida de produto e serviço.

O conhecimento também pode voltar a ser informação ou dado, caso não se tenha foco em algo útil. O excesso de volume é a razão mais comum para o “des-conhecimento” ou a reversão do conhecimento. Obter tanto conhecimento que não se consegue mais extrair significado dele o transforma novamente em dados.

Por meio da experiência, o conhecimento proporciona uma perspectiva histórica com o principal benefício de olhar e entender novas situações e eventos e reconhecer padrões. As empresas investem em experiência, tanto é que contratam especialistas. A experiência transforma o que deve acontecer em conhecimento sobre o que realmente acontece. Os gerentes reconhecem a importância do conhecimento da vida real ou verdade fundamental e, muitas vezes, há troca de teorias por experiências reais.

O conhecimento pode julgar novas situações e informações, já que contém discernimento. Pode ser inclusive comparado com um sistema vivo, que cresce e se modifica conforme interage com o meio ambiente. A expertise dos experts deixa de ser conhecimento real quando se recusa a evoluir, tornando-se uma opinião ou um dogma.

O conhecimento opera por meio de normas práticas, que são atalhos para soluções de novos problemas que foram previamente solucionados. De fato, não há necessidade de se construir uma resposta a partir do zero, sendo possível lidar rapidamente com as situações, mesmo as mais complexas. Algumas situações podem ser resolvidas tão rapidamente que sequer se tem consciência disso. Significa que o problema foi resolvido de forma intuitiva. Isso não quer dizer que não há passos para se seguir, ocorre que eles acontecem automaticamente.

Autores reconhecem a crescente preocupação das empresas em gerir seus conhecimentos, fato que amplia as ações e estratégias ligadas à gestão do conhecimento. O especialista no assunto Saulo Figueiredo alerta que a necessidade de gestão do conhecimento é uma realidade, porém, ainda não utilizada por muitas organizações. Promover a GC constitui uma importante alternativa no estabelecimento de uma estratégia diferenciada para ampliar a competitividade.

No cenário mundial altamente competitivo, o grande desafio das organizações é o de estabelecer condições de agregação de valor e sustentabilidade nas operações. A gestão do conhecimento é, cada vez mais, um diferencial de sucesso em ambientes empresariais competitivos.

Para serem competitivas, as organizações necessitam realizar a gestão dos conhecimentos críticos aos negócios. Os conhecimentos críticos ou estratégicos devem ser priorizados para que não sejam despendidos esforços desnecessários.

A criação e os processos de conhecimento

A estrutura conceitual básica da teoria da criação do conhecimento organizacional contém as dimensões ontológica e epistemológica. Na primeira, em termos restritos, considera-se que o conhecimento só é criado por indivíduos — a organização apoia os indivíduos criativos, incentivando essa criação, que compreende um processo que amplia o conhecimento individual para uma rede de conhecimento. A segunda, por sua vez, baseia-se na distinção entre conhecimento tácito e explícito.

O conhecimento tácito é o que está na mente das pessoas e é difícil de ser formulado e comunicado. Em uma direção mais prática, inclui elementos cognitivos técnicos, também chamados de modelos mentais, em que os seres humanos criam modelos do mundo, analogias em suas mentes, tanto de imagens da realidade quanto de visões para o futuro. O elemento técnico do conhecimento tácito inclui know-how concreto, técnicas e habilidades. A articulação dos modelos mentais tácitos é primordial para a criação de novos conhecimentos. Já o conhecimento explícito, também chamado de codificado, é definido pelo conhecimento transmissível em linguagem formal e sistemática.

A história da epistemologia ocidental gera uma constante polêmica com relação ao tipo de conhecimento mais verdadeiro. Os ocidentais tendem a enfatizar o explícito, enquanto os orientais tendem a destacar o tácito. Porém, os dois são complementares, afinal, a interação entre eles permite identificar quatro modos de conversão do conhecimento: socialização, externalização, combinação e internalização.

O primeiro modo de conversão é do conhecimento tácito em conhecimento tácito, ou seja, o processo de compartilhamento de experiências, chamado de socialização. O aprendizado acontece por meio da observação, da imitação e da prática, independentemente da linguagem. Somente a transferência de informações desligada de emoções e outros contextos não faz sentido para a socialização. Sessões de brainstorming, encontros com responsáveis pelo desenvolvimento de produto e clientes são exemplos de oportunidades para a socialização.

A externalização, segundo modo de conversão, é chave para a criação do conhecimento, pois transforma o tácito em explícito. Metáforas, analogias e modelos são utilizados para fazer isso de forma eficiente e com eficácia. A metáfora contribui para a percepção de algo que está sendo imaginado. Por outro lado, a analogia ajuda no entendimento do desconhecido por meio do conhecido, eliminando a lacuna entre a imagem e o modelo lógico. Após a criação de conceitos explícitos, normalmente com uso de metáforas, os modelos são gerados e, a partir deles, são criados novos conceitos no contexto dos negócios.

O terceiro modo de conversão, a combinação, caracteriza-se pela transformação de conhecimento explícito em conhecimento explícito e, para isso, envolve a combinação de conjuntos diferentes de conhecimento explícito, tais como documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação computadorizadas. Novos conhecimentos são gerados por meio da classificação, do acréscimo, da combinação e da categorização do conhecimento explícito.

A internalização, último modo de conversão do conhecimento, consiste na transformação do explícito em tácito. Isso ocorre sob a forma de know-how compartilhado (modelos mentais) e experiências. A verbalização e a formatação do conhecimento com o auxílio de documentos, manuais ou histórias facilitam a transferência do conhecimento explícito.

Além disso, a socialização isolada constitui uma forma limitada de criação do conhecimento, que precisa tornar-se explícito para ser alavancado por toda organização. No mesmo sentido, informações explícitas de coisas novas também não ampliam a base de conhecimento da empresa. Quando há interação entre os conhecimentos explícito e tácito, surge a inovação. O conteúdo criado pelos modos de conversão é diferente e eles interagem entre si na espiral de criação do conhecimento. O processo inicia no nível individual e segue nos níveis ontológicos superiores, cruzando fronteiras entre seções, departamentos, divisões e organizações.

Nas organizações, o conhecimento é criado por meio de uma combinação contínua entre conhecimentos tácito e explícito. Por ser um ativo difícil de ser copiado e socialmente complexo, o conhecimento pode proporcionar vantagem competitiva.

Engenharia do conhecimento

A crise de software ocorrida em 1960, em decorrência da não possibilidade de desenvolver sistemas em grande escala para uso comercial, culminou na criação da disciplina engenharia de software. A mesma insatisfação era vivida pelos sistemas baseados em conhecimento, pois exigiam metodologias mais apropriadas para seu desenvolvimento.

A engenharia do conhecimento (EC) difere da engenharia de software principalmente nas fases iniciais do ciclo de vida de um projeto, quando as demandas do usuário e os métodos de conhecimento são adquiridos. As ferramentas para implementação, design de interface do usuário, testes, manutenção e atualização dos sistemas podem ser diferentes, mas os princípios que governam todos os sistemas de software são os mesmos. Consequentemente, embora as fases iniciais de aquisição de conhecimento envolvam um engenheiro do conhecimento e especialistas do domínio, as fases avançadas demandam engenheiros de softwares para implementar e/ou integrar as soluções necessárias.

O objetivo da engenharia do conhecimento é similar ao da engenharia de software, uma vez que ambas pretendem tornar o processo de construção de Sistemas Baseados em Conhecimento (SBC) em uma disciplina de engenharia. Isso requer a análise da construção e manutenção de processos e o desenvolvimento de métodos apropriados, linguagens e ferramentas especializadas para o desenvolvimento de SBC.

Desde que surgiu, nos anos 1970, a engenharia do conhecimento evoluiu de um paradigma de transferência de conhecimento para um paradigma de modelagem de conhecimento. A moderna engenharia do conhecimento, ao contrário de sua primeira geração, não está centrada na codificação como extração direta de conhecimento de especialistas, mas sim como um processo de modelagem e representação de conhecimento explícito. Sua evolução deu-se a partir da arte de construir sistemas especialistas, sistemas baseados em conhecimento e sistemas de informação intensivos em conhecimento.

Na engenharia do conhecimento, o conhecimento é modelado de forma independente dos aspectos de implementação, permitindo identificar, representar e modelar explicitamente diferentes tipos de conhecimento. Essa evolução tornou-se viável a partir da publicação do artigo “O Nível de Conhecimento”, por Allen Newell, que proporcionou o aparecimento de diversas metodologias de desenvolvimento de sistemas de conhecimento. Entre as mais representativas encontram-se: tarefas genéricas, métodos de limitação de papéis, VITAL, Protégé e CommonKADS.

A engenharia do conhecimento tem como objetivos: instrumentalizar por meio de ferramentas a gestão do conhecimento organizacional; apoiar a decisão dos trabalhadores do conhecimento; e desenvolver sistemas de conhecimento mais efetivos.

A EC constitui uma alternativa para suportar a GC, na qual o conhecimento é o principal objeto de manipulação. Por meio de uma metodologia científica, a EC busca analisar e modelar o conhecimento, obtendo o completo entendimento das estruturas e processos utilizados pelos trabalhadores do conhecimento. Ela torna possível identificar as oportunidades e os gargalos na forma como as organizações desenvolvem, distribuem e aplicam seu conhecimento.

As técnicas da EC, amadurecidas, são usadas cada vez mais não apenas para o desenvolvimento de SBC, mas também para a análise e a estruturação do conhecimento na GC. Entretanto, a disponibilidade de ferramentas adequadas tornou-se indispensável para a sustentabilidade dessas técnicas.

A EC é uma atividade construtiva e colaborativa em que o processo de formalização do conhecimento (modelagem) é o aspecto central. Para isso, estão à disposição do engenheiro do conhecimento ferramentas e metodologias para codificar e modelar conhecimento.

Cinco papéis são indicados nos processos de engenharia e gestão do conhecimento

Especialista ou provedor de conhecimento: Papel exercido pelo ser humano que detém o conhecimento. Tradicionalmente, fica a cargo de um especialista no domínio da aplicação, mas pode ser tocado também por pessoas na organização que não têm o status de especialista.

Engenheiro ou analista de conhecimento: O termo “engenheiro de conhecimento” indica trabalhadores do conhecimento em todas as fases do processo de desenvolvimento, geralmente reservado para o trabalho de análise de sistemas. Nesse sentido, “analista de conhecimento” seria uma melhor definição.

Usuário de conhecimento: Um usuário de conhecimento faz uso direto ou indireto de um sistema de conhecimento. Envolver usuários de conhecimento desde o início é mesmo mais importante que em projetos regulares de engenharia de software. Para o projeto e a implementação, é importante assegurar que eles interagiram com o sistema e suas próprias representações de interface.

Gerente de projeto: O gerente de projeto de conhecimento está encarregado de comandar o desenvolvimento do sistema de conhecimento.

Gerente de conhecimento: O gerente de conhecimento não está diretamente envolvido no projeto de desenvolvimento de sistemas de conhecimento. Ele formula uma estratégia de conhecimento ao nível do negócio.

Gestor do conhecimento: Define a estratégia de conhecimento, inicia o projeto de desenvolvimento e facilita a distribuição do conhecimento.

A metodologia CommonKADS

O CommonKADS originou-se da necessidade de construir sistemas de conhecimento de qualidade em larga escala, de forma estruturada, controlável e replicável.

Trata-se de uma metodologia que integra características de outras metodologias orientadas a modelos e abrange diversos aspectos do projeto de desenvolvimento de um sistema de conhecimento, incluindo: análise organizacional; gerenciamento de projetos; aquisição, representação e modelagem do conhecimento; integração e implementação de sistemas.

O CommonKADS possui um conjunto de seis modelos que especificam todos os aspectos ligados à aplicação a ser desenvolvida, incluindo a organização, os recursos humanos, os aspectos de implementação e a interação entre eles. Além disso, oferece suporte à realização de atividades de modelagem, atividades de gestão de projetos e reusabilidade.

A experiência acumulada ao longo dos anos tornou o conjunto de modelos do CommonKADS a expressão prática dos princípios de base da análise de conhecimento. Como consequência disso, o CommonKADS atualmente é a metodologia mais difundida e testada em projetos reais.

Modelos da metodologia CommonKADS

Modelo da Organização: Apoia a análise das maiores características da organização, a fim de descobrir problemas e oportunidades para sistemas de conhecimento, estabelecer sua viabilidade e acessar o impacto das ações de conhecimento pretendidas na organização.

Modelo da Tarefa: Analisa o layout das principais tarefas do domínio, suas entradas, saídas, pré-condições e critérios de performance, bem como recursos e competências necessários. Com a aplicação deste modelo, tem-se a identificação de quais tarefas possuem conhecimento intensivo.

Modelo do Agente: Descreve as características dos agentes, em particular suas competências, autoridades e restrições para agir. Além disso, relaciona os links de comunicação entre agentes necessários para executar uma tarefa.

Modelo do Conhecimento: Descreve o conhecimento envolvido no domínio do projeto. Com este modelo é possível detalhar como o conhecimento está relacionado em cada tarefa, quais agentes o possuem e como seus componentes relacionam-se entre si.

Modelo de Comunicação: Dado que muitos agentes podem estar envolvidos em uma tarefa, é importante modelar a transação de comunicação entre os agentes envolvidos. Isso é feito pelo modelo de comunicação, de forma independente de implementação ou de conceito, como ocorre no modelo de conhecimento.

Modelo do Projeto: Os modelos do CommonKADS compõem a especificação necessária para a criação de um sistema de conhecimento. O modelo do projeto terá, então, a conversão das informações contidas nos modelos em especificações técnicas do sistema quanto à arquitetura, plataforma de implementação, módulos de softwares, construtores de representação e mecanismos computacionais necessários para implementar as funções verificadas nos modelos de conhecimento e comunicação.

É importante salientar que nem sempre todos os modelos do CommonKADS têm de ser construídos. Tudo depende dos objetivos do projeto e das experiências adquiridas em projetos anteriores. Ou seja, apesar de interdependentes, os modelos podem ser desenvolvidos em diferentes momentos e por diferentes equipes. Dessa forma, cabe ao engenheiro do conhecimento escolher quais são os modelos relevantes para o seu projeto.

Um pequeno sistema pode desprezar a análise organizacional que origina o modelo da organização, porém, para um grande sistema essa análise pode ser bastante útil. Assim, um projeto de conhecimento em CommonKADS produz três tipos de produtos: documentos do modelo CommonKADS, informação de gestão do projeto e software do sistema de conhecimento.

Gestão do conhecimento e mídias sociais

Os autores Nonaka e Takeuchi definem a gestão do conhecimento como “a capacidade que uma empresa tem de criar conhecimento, disseminá-lo na organização e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas”. A organização gera riqueza a partir do capital intelectual à medida em que integra processos e conhecimentos, mapeando-os adequadamente.

Sob a perspectiva estratégica, a gestão do conhecimento é um processo pelo qual a organização mantém ou melhora o seu desempenho, baseada em experiência e conhecimento.

O conhecimento deve ser percebido como fator estratégico e estar relacionado com os processos de negócio para atender as diretrizes da empresa.

As organizações têm o desafio de identificar quais conhecimentos produzidos são estratégicos e necessitam de formalização. O alinhamento da gestão do conhecimento com o planejamento estratégico proporciona ações para construir uma organização que utiliza o conhecimento rentável à sua operação.

Os autores Nonaka e von Krogh destacam a importância de uma visão prática social da gestão do conhecimento organizacional. O equilíbrio entre rotinas, criações e inovações deve ser observado e estimulado por meio de dispositivos presentes nas empresas.

Os processos sociais, as redes sociais e o capital social têm um papel efetivo em projetos de gestão do conhecimento. Em seu desenvolvimento, as intervenções devem ser baseadas em processos, padrões e práticas sociais na organização.

Atualmente, o conhecimento, a inovação e a criatividade são reconhecidos como fatores competitivos que podem apoiar e fomentar a adaptação, a sobrevivência e o desempenho excelente de uma empresa. Para que esses fatores sejam evidenciados, as organizações podem implementar estratégias de gestão do conhecimento que, em conjunto com as estratégias corporativas, auxiliem na melhoria do desempenho organizacional.

Dentro do panorama de participação coletiva, uma rede social é definida como o conjunto de pessoas, instituições ou grupos e suas interações sociais. Os atores das redes sociais estabelecem ligações motivadas por um objetivo específico. A relação desenvolvida neste ambiente permite o alcance de objetivos comuns. Quando planejada estrategicamente, a rede social corporativa é uma ferramenta para a competitividade dos negócios, pois proporciona uma visão sistêmica das informações.

Para beneficiar-se da gestão do conhecimento, é necessário utilizar métodos e tecnologias adequados à evolução dos relacionamentos existentes nas organizações, tanto entre seus colaboradores quanto com os demais envolvidos na cadeia de valor. Esses relacionamentos têm sido influenciados pelas mídias sociais que estão provocando várias mudanças na produção e no compartilhamento do conhecimento.

As redes sociais on-line são uma tecnologia eficaz para incutir a gestão de relacionamentos em sistemas de gestão do conhecimento. Como plataforma e meio de disseminação de informações, as mídias sociais permitem agregar, compartilhar, armazenar e sintetizar o conhecimento de várias fontes para a criação de novos conhecimentos.

A Web 2.0 possui três camadas de relevância para a gestão do conhecimento: baseia-se em princípios sociais, produção coletiva e colaboração sem limites; consiste em um conjunto de aplicações que são intuitivas e fáceis de usar; e baseia-se em plataformas de código aberto e habilita serviços que proporcionam economia de escala. A Web 2.0 permite capturar o conhecimento explícito de modo informal nas redes sociais e assim compreender a forma como os sujeitos podem interagir para colaborar em grupos de trabalho. Os softwares sociais facilitam as interações e desafiam a dinâmica competitiva das indústrias quanto à criatividade, independência, atuação em ambientes de incerteza e suporte.

As mídias sociais também impactam na estrutura das organizações. As que adotam o conceito de empresa colaborativa estão se baseando na promoção de comunidades internas e externas usando ferramentas web com funções sociais e com alinhamento às necessidades de negócio. O uso adequado das redes em ambientes corporativos pode fomentar a evolução das práticas de compartilhamento e gestão do conhecimento. Este é o papel da Enterprise 2.0, baseada na promoção interna e em comunidades externas usando ferramentas da web social e alinhando-as com as necessidades do negócio.

Este panorama sobre a relação entre gestão do conhecimento e mídias sociais aponta para uma visão estratégica do conhecimento nas organizações apoiada pelo uso de ferramentas da web.

Gestão do conhecimento e colaboração

A colaboração pode ser definida como o trabalho coletivo de um grupo de indivíduos que compartilham conhecimento e aprendem uns com os outros. Assim, a colaboração é uma das principais características das organizações que buscam o aprendizado constante e a gestão do conhecimento.

O foco da aprendizagem organizacional em meio à gestão do conhecimento está em encontrar e empregar as melhores práticas, aproveitando recursos já existentes na empresa.

Surge, então, a colaboração de Senge, por meio da aprendizagem contínua, com a qual as pessoas estão constantemente aprendendo coletivamente. Os resultados são mensurados por um conjunto de indicadores e medidores de aprendizagem organizacional. Para tanto, é fundamental a adoção de uma ferramenta que viabilize de modo sintetizado a coleta, a análise e a disseminação do conhecimento.

Considerando que o conhecimento está nas próprias pessoas das organizações e fora delas também, é por meio dos processos organizacionais nos quais as pessoas estão envolvidas que os conhecimentos se tornam relevantes. Os processos de negócio são identificados pela necessidade de gerar um produto ou disponibilizar informação a clientes (externos ou internos), requerendo outras informações ou recursos (entradas) disponibilizados por outros processos ou entidades externas à empresa (ambos fornecedores). Michael Porter, em seu modelo, descreve esses processos como uma cadeia de valor conectando desde fornecedores até clientes.

A gestão do conhecimento refere-se à identificação e à alavancagem do conhecimento coletivo em uma organização para ajudá-la a competir ou se adaptar a externalidades. Ela propõe, essencialmente, potencializar a inovação e a capacidade de resposta da organização a fatores externos por meio de um conjunto de processos distintos, mas interdependentes, de criação, armazenamento, recuperação, transferência e aplicação de conhecimento.

Indivíduos isolados podem contribuir substancialmente com as organizações por meio de seus pontos de vista, mas, quando suas contribuições são comparadas com as ações e decisões de um grupo, na maioria das vezes, os resultados do grupo são mais efetivos do que os individuais. Esses grupos podem ganhar ainda mais força quando passam a fazer parte de redes de colaboração.

As redes de colaboração são formadas por duas ou mais organizações que concordam em investir ou compartilhar recursos, informações, resultados e responsabilidades e frequentemente tomam decisões em conjunto. O objetivo é melhorar o estado atual de seus negócios ou inovar, estabelecendo uma infraestrutura de conhecimento por meio da rede de conexões entre pessoas, proporcionando espaço, tempo, ferramentas e incentivo para interagir e colaborar.

A colaboração permite que os participantes de uma cadeia de suprimentos compartilhem e criem conhecimento para inovar no desenvolvimento de novos produtos, melhoria de processos, prestação de serviços, gestão de inventário, transferência de tecnologia e planejamento de capacidade de produção.

A utilização de plataformas tecnológicas que disponibilizam métodos e ferramentas para capturar, entender, compartilhar e facilitar o acesso e o reúso de informações e conhecimento aumentam a produtividade, o alcance e a velocidade das redes de colaboração.

Gestão do conhecimento para fazer a diferença

Como vimos, o conhecimento é resultado das informações que recebemos. A gestão do conhecimento, por sua vez, corresponde ao uso de um conjunto de metodologias e tecnologias a fim de administrar todo esse know-how em um processo sistemático que o identifica, o renova e aplica o resultado nas organizações.

Isso ocorre porque todos (funcionários, gestores e clientes) são responsáveis por gerar dados e informações relevantes capazes de facilitar e ajudar a criação de soluções melhores, o que acontece quando essas informações são ordenadas para produzir conhecimento e são distribuídas estrategicamente. Como consequência, a produção é otimizada e os resultados obtidos tornam-se cada vez melhores.

E não pense que gerir esse conhecimento é possível apenas em grandes corporações. Toda empresa, independentemente do porte, está produzindo novas informações diariamente, portanto, organizá-las e distribuí-las de forma adequada é o que vai fazer a diferença.

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* As referências do conteúdo deste artigo estão listadas no e-book Gestão do Conhecimento: Entenda o conceito e descubra por que aplicá-lo na sua empresa faz toda a diferença para os negócios, de autoria de Celso Ricardo Salazar Valentim, disponível aqui.

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