Gestão do Conhecimento

Na curadoria de conteúdo, navegar é preciso

Na curadoria de conteúdo, navegar é preciso

Originalmente associado à arte, o “curador” (do latim, “tutor”) é aquele profissional responsável pela concepção, montagem e supervisão de uma exposição. No âmbito da comunicação digital, o termo “curadoria de conteúdo” tem se tornado cada vez mais recorrente. Tal conceito não difere muito de sua procedência artística. Rohit Bhargava, especialista em marketing e social media, traz uma definição bastante objetiva do conceito: “Curadoria de conteúdo é um termo que descreve o ato de encontrar, agrupar, organizar ou compartilhar o conteúdo mais relevante sobre um assunto específico”. Mas não se trata apenas de repassar informações variadas sobre determinado tema. Na curadoria de conteúdo, é importante agregar valor e relevância para além do conteúdo original, dar significado, sentido a estas informações.

Falamos no post anterior, sobre a Web Semântica e o ato de transformar dados em conhecimento. Essa lógica também está presente no trabalho do curador de conteúdo. Circulam diariamente na internet uma avalanche de dados: 2 milhões de posts em blogs, 250 milhões de fotos e mais de 530 milhões de status atualizados no Facebook. E a previsão é que continue crescendo. Com tanta informação, o filtro segmentado de conteúdo torna-se um trabalho difícil, porém, cada vez mais necessário.

O código dos super-heróis do conteúdo

Steven Rosenbaum, autor do livro “Curation Nation” (Nação Curadoria), em um artigo para a Fast Company, faz uma analogia dos curadores de conteúdo com super-heróis, que salvam as pessoas desse mar de informações. “Super-heróis são seres humanos extraordinários que se dedicam a proteger o público. E quem está tentando manter sua cabeça acima da “água” proverbial da web, com sua maré crescente de dados e informações, sabe que precisamos de uma super ajuda… E rápido”.

Nesse fluxo crescente e contínuo de conteúdos, ainda não existe um padrão para creditar nossas descobertas. Algo semelhante às citações literárias criativas e os diretos de imagem Commons. Por isso, Maria Popova, responsável pelo blog Brain Pickings, sugere a utilização do “código do curador” — um movimento para homenagear e padronizar atribuição de descoberta através da web. Em entrevista ao The New York Times, Maria Popova afirmou que “descobrir uma informação é uma forma de trabalho intelectual”, é um novo tipo de autoria. Porém, ela defende que não dar crédito às fontes é uma forma de roubar o trabalho e o tempo alheio e sugere a criação de símbolos que identifiquem uma atribuição na internet. Os códigos sugeridos por ela (que serviriam como o símbolo © do Copyright) são estes:

indica que o conteúdo foi repassado conforme o original.

 indica que o conteúdo foi postado com alguma mudança, ou serviu de inspiração.

A ideia destes símbolos é interessante. Porém, o mais importante nessa abordagem é o fato de dar crédito à origem do conteúdo. É uma forma de demonstrar respeito não só por quem ajudou a encontrar a informação, como também por quem a está recebendo. Além disso, valoriza o trabalho do próprio curador, que navegou no imenso mar de dados na web (e fora dela) para salvar quem procurava uma ilha de conteúdo confiável e relevante.

Em um próximo post sobre o tema, falaremos sobre algumas ferramentas úteis para a curadoria de conteúdo. Por enquanto, gostaríamos de indicar a Entrevista com David Carr: curadoria, crowdsourcing e o futuro do jornalismo (em inglês).


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