O design e a música

Eis o exemplo de uma relação que se fortalece com o tempo. Lá na década de 60, Andy Warhol, um dos maiores ícones da pop art, resolveu variar suas atuações artísticas, se inserindo também no meio musical. Foi ele o mentor intelectual da banda The Velvet Underground. Warhol foi o autor da capa do primeiro álbum da banda (a imagem acima do post). Aliás, neste quesito, o artista foi bem atuante. Abaixo, as capas produzidas pelo artista para os Rolling Stones (1971) e para Diana Ross (1982). Veja mais capas feitas por ele no site The Vinyl Factory.

Outro fato que confirma que a ligação entre a música e o design dá certo é o caso de Farokh Bulsara. Se você não conhece esse artista, vamos dar algumas dicas. Além de designer ele também foi cantor e o nome da banda em que ele cantava é “Queen”. Isso mesmo, Freddie Mercury era formado em Design, e foi ele próprio quem criou a logo da banda. Confira aqui a evolução do desenho original. 

E para confirmar que o design é uma das melhores maneiras de traduzir a música no silêncio, conheça o projeto Music Philosophy, do artista brasileiro Mico Toledo. O projeto expõe representações gráficas de citações musicais filosóficas. Devido ao grande sucesso, não há mais exemplares físicos para a venda. Porém, os cartazes estão disponíveis para download neste site.

 Referências:

The Vinyl Factory

Obvious Mag

Devian Art

Time-lapse — a técnica, o olhar e o tempo

Sabe aquela paisagem que você vê todos os dias no caminho para o trabalho? Essa rotina pode acabar em filme. E um filme em “time-lapse”. Na tradução literal, time-lapse significa lapso de tempo, ou um intervalo de tempo. Trata-se de uma técnica cinematográfica em que cada quadro do filme (frame) é tomado a uma velocidade muito mais lenta do que aquela em que o filme será reproduzido. Quando visto a uma velocidade normal, o tempo parece correr mais depressa e assim parece saltar (lapsing). Para produzir um filme em time-lapse são utilizadas várias fotografias de um mesmo local, tiradas em diferentes ocasiões. A técnica nos fornece a ideia da passagem do tempo.

Algumas pessoas podem confundir time-lapse com “stop motion”. Este segundo conceito utiliza imagens estáticas colocadas em sequência, que dão a impressão de movimento. É muito utilizada na tentativa de “dar vida” a objetos inanimados. Já no time-lapse, as imagens são ordenadas e formam uma sequência de vídeo em que a realidade se mostra acelerada. O cineasta e ilusionista francês Georges Méliès, precursor de várias técnicas de efeitos especiais em vídeo, foi o primeiro a utilizar o time-lapse, em sua obra “Carrefour De L'Opera”, de 1897. 

A ideia de Méliès evolui com o desenvolvimento de novas tecnologias. Em um de seus vídeos mais famosos, “Le Voyage dans la Lune” (1902), o cineasta reproduz imagens de nosso satélite natural. Mais de 100 anos depois, continuamos com vontade de retratar o espaço. Um dos exemplos mais recentes de vídeo em time-lapse mostra a Terra vista de um ângulo muito especial. O vídeo é resultado de fotos tiradas no período de 14 a 20 de maio de 2012 pelo satélite geoestacionário russo Electro-L. Cada pixel equivale a um quilômetro quadrado do nosso belo planeta e cada imagem tem 121 megapixels.

 

O fotógrafo Frans Hofmeester documentou o crescimento da filha com fotos semanais. Quando ela completou 12 anos, ele editou o material e o resultado foi um time-lapse incrível.

O time-lapse também é muito utilizado na reprodução acelerada da passagem do tempo na natureza, revelando movimentos impossíveis de serem observados sem a utilização dessa técnica. Sabe aquela flor que parece desabrochar de um dia para outro? O time-lapse dá um sentido novo a esse movimento.

No site Nature Videos Collections, a BBC tem um espaço só com exemplos de time-lapses na natureza. A própria emissora mostra um tutorial sobre como são realizadas estas grandes produções. É uma técnica que exige dedicação e profissionalismo.

Mas há outras possibilidades para utilizar a técnica. Pra variar, nossos smartphones incorporaram essa tarefa também. Para quem quer um resultado menos profissional, existem aplicativos para dispositivos móveis que facilitam a produção de time-lapses. Entre eles, para Android, há o Tina Time Lapses, e para o Iphone, o OSnap!.

 

Referências:

Up Date or Die

Wikipedia

Imagem: Pinterest

Mais exemplos em: The Time-lapse Stock Footage Library

Um guia prático do Tumblr

O Tumblr alcançou a marca de 54 milhões de usuários. De acordo com um relatório de fevereiro de 2012 da comScore, em todo o mundo web, os usuários que visitaram o Tumblr gastaram, em média, 89 minutos no site durante janeiro deste ano. Nesta análise, o Tumblr ficou em segundo lugar no ranking mundial, junto com o Pinterest e atrás do Facebook, e na frente do Twitter. Se comparado o tempo gasto pelos internautas no Tumblr (89) e no Twitter (21), pode-se perceber que os usuários do Tumblr são muito mais engajados. No Brasil, de acordo com o Google AdPlanner, a rede soma 2,9 milhões de usuários. 

O Tumblr tem uma média de 17,5 milhões de visualizações por mês e, por dia, são publicados 70 milhões de post na plataforma. Percebendo a força da rede, Dave Karp, fundador e CEO do Tumblr, anunciou na conferência Ad Age Digital 2012 que a plataforma iria introduzir espaços de anúncios para venda no site a partir de maio. A promessa se consolidou e já é possível contratar anúncios no Tumblr.

Por isso, se você ainda não conhece esta rede, é bom começar a prestar atenção nela que, com uma audiência cada vez mais significativa, pode ser uma excelente ferramenta de comunicação para as empresas. Para ajudar a entender melhor como funciona essa mídia social, preparamos um guia prático de como utilizar o Tumblr.

 

Conhecimento 2.0

Abra seu buscador predileto e digite “Web 2.0”. O primeiro site indicado para resposta a essa busca é resultado do próprio conceito sobre o qual você quer se informar melhor. O Wikipedia é um dos exemplos dessa tal de web 2.0. Se essa primeira fonte não for suficiente, no Google você terá à disposição mais de um trilhão de sites com referências para o tema, com informações construídas por pessoas de todos os lugares possíveis no globo.

Toda essa introdução é para tentar contextualizar esse termo muito utilizado, porém, nem sempre de forma correta. Afinal, o que se quer verdadeiramente dizer com uma empresa ou produto 2.0? O conceito foi utilizado pela primeira vez em 2004 pela empresa americana O'Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços da World Wide Web.  Com a palavra, Tim O'Reilly, percursor no uso do termo:

"Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva".

O autor assim definiu em seu blog em 2006 e, desde então, é a definição concisa mais aceita do termo. Já se passaram alguns anos desde essa definição e “2.0” tem sido cada vez mais utilizado como adjetivo e sinônimo para itens que pretendem revelar-se com muita rapidez e interatividade. Já há até quem fale em Web 3.0 (a terceira geração da internet). Mas vamos com calma. Será que o conceito de web 2.0 tem sido efetivamente colocado em prática. Não faltam exemplos na web que demonstram a real utilização da inteligência coletiva. Um deles, falamos no início do texto: o Wikipédia é um dos principais modelos de criação colaborativa de conhecimento por meio de uma plataforma on-line.

O conhecimento por trás dos cliques

Mas é preciso ter cuidado ao referenciar algo como 2.0. Não basta estar na internet para ser web 2.0. Da mesma maneira, definir um produto, um site ou um aplicativo como “2.0” não o torna efetivamente como tal. O que vai determinar isso é a forma como o conteúdo on-line será utilizado, compartilhado e construído. Não necessariamente nesta ordem. O’Reilly afirma que “o princípio mais importante por trás do sucesso dos gigantes nascidos na era Web 1.0 que sobreviveram para liderar a era Web 2.0 parece ser o fato de que eles souberam aproveitar o poder que a rede tem de tirar partido da inteligência coletiva”. É graças à web 2.0 que podemos não apenas ter acesso a determinadas informações, mas também ajudar na construção de um conhecimento que será utilizado por outros milhões.

Na web 2.0, a colaboração coletiva é a bandeira principal. Mas nesse mundo tão conectado, qual seria a maior dificuldade em consumir informações de acesso universal? A questão espacial já foi resolvida, já que a China fica a alguns cliques de distância. A principal barreira na comunicação on-line é a linguagem, que não é universal. Para resolver isso, adivinhem o que está sendo utilizado? Novamente ela, a inteligência coletiva. O projeto Duolingo se propõe a ensinar às pessoas um novo idioma. Enquanto elas aprendem gratuitamente uma nova língua nessa plataforma, elas estão automaticamente ajudando a traduzir sites da internet. É como utilizar uma ferramenta 2.0 para tornar a própria web ainda mais “2.0”.  Ou seja: “aproveitar o poder que a rede tem de tirar partido da inteligência coletiva”. 

 

Para saber mais sobre a criação do Duolingo assista à palestra de Luis von Ahn no TED: Colaboração on-line em escala massiva.

 

Referências

O que é Web 2.0 – Tim O’Reilly

Blog O’Reilly

Wikipedia

Crowdlearning: inteligência coletiva a serviço de todos

 

 

Netnografia: desvendando códigos digitais

Você pode até não se dar conta, mas, com o crescimento na utilização das mídias sociais, é como se carregássemos placas on-line denunciando nossas preferências. Com o Orkut, por exemplo, é só dar uma olhada no perfil para saber que, quando criança “Tocava a campainha e corria”, “Eu amo chocolate” e “Odeio mentira”. Com o surgimento de diversas outras redes, isso ficou ainda mais evidente, fortalecendo a produção própria de conteúdo dos usuários e o compartilhamento de informações.

A etnografia é um método utilizado pela antropologia para recolher dados, e consiste no estudo de um objeto por vivência direta da realidade onde este se insere. Quando essa pesquisa acontece dentro da internet, ela é chamada de “netnografia”.

Sylvia Constant Vergara, em seu livro “Métodos de pesquisa em Administração”, define o conceito como “a abertura das portas do tradicional método etnográfico para o estudo de comunidades virtuais e da cibercultura. Originado no campo da antropologia, o método etnográfico consiste na inserção do pesquisador no ambiente, no dia-a-dia do grupo investigado”.

A netnografia pode ser grande aliada das empresas e de organizações de todos os tipos. Estar inserido no campo de atuação virtual do público que se pretende atingir é um caminho eficiente para a conquista de informações sobre gostos e preferências. Esse olhar apurado no âmbito virtual enriquece o planejamento de estratégias de atuação que vão além da rede mundial de computadores.

Em suma, a netnografia ajuda a desvendar o ser humano por trás do avatar, por meio de símbolos, mensagens, e todo o tipo de informação que o internauta lança na web. É quando as organizações passam enxergar além do “consumidor”, e preocupam-se com a “pessoa”. As mídias sociais são um campo e tanto para uma pesquisa etnográfica. As próprias redes utilizam a etnografia para traçar tendências de comportamento, com objetivo de adequar melhor as ferramentas de modo a satisfazer a vontade dos usuários de se expressarem e, ao mesmo tempo, recolherem mais e mais informações sobre eles.   

Um exemplo recente foi praticado pela marca de absorventes Kotex. A empresa utilizou o Pinterest para pesquisar o comportamento de seu público: as mulheres. Foram selecionadas 50 mulheres com grande influência na rede e, após avaliarem suas preferências, por meio de seus "pins", a empresa enviou uma caixa com presentes — todos relacionados ao que elas publicam no Pinterest. Veja o resultado no vídeo abaixo:

Referências

Netnografando

Wikipedia

Imagem: Pinterest

Recomendações de leitura: Netnografia: a arma secreta dos profissionais de marketing

 

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